Black Hammer Mostra a relação dos heróis com a vida cotidiana, e o quanto isso é maçante para eles.

A Dark Horse Comics, lançou em julho uma nova série chamada Black Hammer. Com roteiros de Jeff Lemire ( Gavião Arqueiro, Arqueiro Verde e Velho Logan) e arte de Deam Ormston, Black Hammer constrói um universo onde super-heróis da era de ouro, terão que lidar com o esquecimento e se adaptar a um estilo de vida comum numa pequena cidade dos Estados Unidos.

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Black Hammer #1

A série começa numa fazenda chamada Black Hammer, onde vivem esses heróis, que agora tentam se acostumar a essa nova rotina. Aparentemente apenas Hammond, que assumiu a liderança na comunidade, demonstra se adaptar bem a essa vida. Outros personagens tentam, com algumas dificuldades, encarar a nova realidade, é o caso do marciano Barbalien. Outros sofrem com a situação, o caso mais extremo é o da Golden Gail, talvez a que passou por mudanças mais sérias nesse exílio que já dura dez anos. O robô Talky-Walky procura de toda forma encontrar um meio de escapar dessa situação, enquanto a misteriosa feiticeira Madame Dragonfly, vive reclusa. O personagem mais interessante, porém menos explorado até o momento, parece viver em estado de negação, é o Coronel Weird (Coronel Estranho em português). Black Hammer por sinal era o nome do herói conhecido como “o campeão das ruas”, que não está entre os demais e parece ter sido o único que tentou escapar da fazenda. Assim temos o elenco de heróis que agora esconde sua condição da sociedade na tranquila cidade em que vivem, tendo que assumir rotinas e identidades de pessoas comuns. Isso não parece muito fácil para eles.

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A vida comum de heróis outrora campeões e protetores do mundo.

A série mais uma vez desconstrói os super heróis clássicos tornado-os mais realistas.

Black Mammer é mais uma série que, seguindo o legado de Watchmen, desconstrói o conceito de super-herói, perfeito, bondoso, e altruísta, e os mostra em condições mais realistas. Parece repetitivo, já vimos isso em vários outros títulos, mas a verdade é que Jeff Lemire consegue entregar um roteiro original, explorando um aspecto que nos universos de heróis tradicionais, como Marvel e Dc são mostrados como algo facilmente aceito, e até necessário. Aqui os personagens parecem não se contentar com o exílio na bucólica fazenda. Isso representa tédio, falta de propósito e o pior: o não reconhecimento de suas existências e o quanto eles se sacrificaram para salvar o mundo. Enquanto Hamond parece aliviado por voltar a ser algo que ele sempre foi, um homem comum sem superpoderes, os demais demonstram que há algo faltando. Gail é a que mais sofre por estar presa num corpo de criança, por não conseguir reverter os efeitos de seu poder mágico (semelhante aos de Shazan) onde uma palavra a faria voltar a ser a mulher que se tornou antes de tudo isso.

Há um clima de mistério que vai se revelando lentamente nas edições já publicadas.

Os motivos para o cenário desenvolvido na série são desconhecidos. O ponto forte do roteiro, é permitir que nós leitores possamos deduzir aos poucos o que aconteceu para que os heróis tenham mudando de vida. Há espaço para investigarmos através das pistas e também criarmos nossas teorias. Nas quatro edições já publicadas, Black Hammer permite o desenvolvimento cuidadoso de alguns personagens. É divertida a identificação desses com personagnes já conhecidos como Shazan, Cap. América e O Caçador de Marte (na história os marcianos tem nomes engraçados como Mak Markz e Lok Lokz, em referência John Jonhz, o marciano da DC).

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O armciano Barabalien em uma de suas batalhas do passado.

Há também uma jornalista investigativa (inspirada em Lois Lane?) que pretende escavar a verdade e revelar a existência desses heróis. Ela pouco aparece nos números iniciais. Alguns personagens dão indícios de que talvez não só os heróis estejam exilados, mas talvez existam vilões escondidos sob identidades civis.

Os desenhos de Deam Ormston são muito apropriados para o clima da série, com uma reprodução competente do clima antigo dos quadrinhos da era de ouro. As capas, são inspiradas em cenas clássicas de representanção dos heróis, remontando àquela época. Inclusive, esse é um fator importante para o bom funcionamento da hq.

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Black Hammer, não é uma série apenas sobre heróis, que perderam seus status. Ela trata de heróis de um período clássico dos quadrinhos, que na vida real também sofreu um baque, quando os gênero, perdeu popularidade, levando muitos personagens ao limbo. Essa hq acaba sendo uma boa metáfora também a esse boom passageiro da era de ouro, trazendo versões adaptadas de heróis que brilharam naquele período. Vale muito a pena ver uma desconstrução inteligente que não depende do excesso de violência para legitimar o que poderia ser um herói no mundo real.

Veja também o vídeo sobre a hq:

 

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