por Gabriel Evelin

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Méliès e os irmãos Lumiere, nos primórdios do cinema, lutavam por um reconhecimento como artistas. Essa luta repercutiu, o cinema passou a ser um dos meios de maior influencia na sociedade, criaram-se vanguardas e escolas de cinema pelo mundo. Porém essa luta recentemente vem sendo minada pela necessidade de lucro. Agora o objetivo é criar uma franquia ou série, que possa por anos sustentar os grandes estúdios. Eis que se criou uma solução: “vamos adaptar quadrinhos”.

Hoje não seria uma novidade olhar pra lista de bilheterias e ver filmes de herói no topo da tabela. O sucesso desses filmes trouxe uma popularidade à nona arte: hoje grandes sagas acontecem, muito por necessidades criadas pelas telonas. Mas de onde veio tudo isso?

Esse quadrinho da Coleção Oficial de Graphic Novels da Marvel traz a resposta em um tom particular de nostalgia. O primeiro número da extensão de clássicos da coleção, se propõe a explicar a origem dos principais nomes do Universo Marvel, porém, vai muito além disso, tornando-se quase um documento histórico.

Aqui vemos um retrato do que foram os anos 60: um suposto sucesso do “American Way of Life” sobre o modo de vida vermelho da extinta URSS. Stan Lee (que escreve a maioria dos roteiros), traz o tom humorístico e tranquilo aos heróis, sem contudo “endeuzá-los”, aproximando-os, assim, do público. Os vilões por sua vez, quando não caricatos que querem dominar o mundo, amplificam a tensão EUA x URSS representando um povo metódico, dominador e ambicioso, contrário aos americanos, livres, divertidos e virtuosos.

O encadernado Marvel Origens – A década de 60, é sem dúvida um grande item para a coleção de qualquer leitor de quadrinhos. Tanto por seu valor histórico (são as primeiras publicações de cada herói em um único encadernado), quanto por ser um documento de época, servindo bem até a pesquisas históricas.