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Superman: Último Filho é uma ótima parceria entre Jeoff Johns e seu mentor, Richard Donner, que desenvolvem um roteiro cinematográfico, com ação e ritmo que caracterizam bem o universo do Homem de Aço. Após a queda de uma nave em Metrópolis, Superman descobre, ao chegar ao local da queda, que a nave carrega em seu interior um garoto, que após algum tempo descobre-se ser natural de Krypton. A partir daí o Superman começa a tratar o garoto, batizado de Christopher, como seu filho e para protegê-lo do exército Americano, que tentará manter sua guarda. Posteriormente outros Kryptonianos chegarão à terra, provenientes da zona fantasma, e a partir daí, a batalha do Superman será proteger o último filho de Krypton e evitar a invasão de Metropolis por parte dos Kryptonianos fugitivos da zona fantasma.
Richard Donner foi o produtor de Superman, filme de 1978, e parece que aqui ele pretende criar uma história que caberia perfeitamente nas telonas, há muita ação envolvendo os afetos familiares criados entre o novo personagem mirim e o casal de protagonistas, e os violões são colocados num momento certo de tensão já estabelecida. Há um bom numero de elementos narrativos que nos levam a roer as unhas de ansiedade a cada quadro. Os desenhos de Adan Kubert  possuem nesse encadernado um traço perfeitamente adequado para as cenas de ação, com linhas rabiscadas e que conferem movimentação intensa aos desenhos. As cenas ganham vida e saltam aos olhos complementadas por cores sutis numa palheta de efeito realista. A sequência que narra os eventos dentro da zona fantasma merecem destaque por conseguir transmitir a perturbação que deve se sentir em sua dimensão.
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Jeoff Johns é bom em criar histórias que, quando lidas num único fôlego, se tornam épicas e nos fazem vibrar junto com heróis. Em cada capítulo um final envolvente nos leva a querer seguir adiante, o resultado é um conto sensível envolvendo um elemento complicado na cronologia do herói. Um filho já foi cogitado e muito criticado pelos fãs. Mudar o status quo dos heróis é fardo para muitos autores, incluir um filho em suas vidas parece tarefa árdua, e perigosa, pois o grande clichê é reproduzir a versão mirim do mesmo. Christopher, uma homenagem a Christopher Reeve, astro dos filmes de Donner, tinha todos os poderes que um kryptoniano desenvolve ao viver na Terra, mas será que ele seria mais um herói na família? Tratar o garoto como filho foi um exercício para Clark e Lois, e para nós ficou o gostinho de como seria essa relação quando contada por bons roteiristas. A leitura da versão encadernada pode trazer a sensação de que a presença de Christopher foi muito curta na vida do Superman, porém observando o tempo em que a história foi escrita, percebemos uma pausa muito longa entre alguns capítulos, a história de cinco partes foi publicada em Action Comics ao longo de dois anos (entre 2006 e 2008). Nos intervalos entre os capítulos tivemos mensalmente as histórias do Superman contando com a presença do Chirstopher no seu dia a dia. Para quem acompanhou no momento em que estava sendo publicada pela primeira vez, esta fase do Superman nos quadrinhos nos colocou em contato com o garoto mensalmente, criando assim um vínculo também com o leitor, esta experiência não consegue ser passada na versão integral.
Atualmente Lois e Clark criam um filho, chamado Jonathan, que em breve exibirá o “S” no peito. Último Filho foi publicado num momento em que incluir um filho na vida do herói era um passo ousado e pouco aceito pelos fãs, essa história é um ótimo momento na carreira do Superman, envolvendo o sentimento de paternidade e conforto do Homem de Aço ao perceber que pode constituir uma família e dar continuidade ao legado que construiu na Terra e ao Legado que herdou de sua família kryptoniana.