“Tudo está predestinado, até minhas reações. Somos todos fantoches Laurie. Eu apenas sou um fantoche que pode ver as cordas”

O mais recente crossover de Rebirth, concluído na última quarta-feira lá fora, “The Button“, trouxe ânimo aos leitores que parecem bem satisfeitos com a atual fase da DC. A historia se desenvolveu em quatro edições, Batman 21 e 22 e The Flash 21 e 22. Com uma capa que fez muito Dcnauta tremer, uma imagem holográfica do Batman e do Flash segurando o boton sujo de sangue do Comediante, o arco começou criando boas expectativas e trouxe um embate inesperado entre Batman e o Flash Reverso. Estabelecido o ritmo e o mistério, a esperança de que mais pistas fossem reveladas sobre a possível participação do Dr. Manhatan nessa trama foi reforçada.

Capa holográfica de Batman 21

Infelizmente a história deixou a curiosidade mais aguçada, tendo como resultado final um clima de suspense ainda maior, não trouxe respostas e ainda inseriu mais dúvidas. É verdade que algumas certezas foram colocadas, como por exemplo, a de que o universo dos novos 52 é o mesmo universo de antes do Ponto de Ignição e de que teremos sim o retorno da Sociedade da Justiça. Embora esta última afirmação não pareça tão nova, falta algum herói da velha guarda do UDC retornar, e a capa final desse arco não nos deixa dúvidas. Mesmo que pareça entregar tudo através das excelentes capas, o crossover reserva algumas surpresas no decorrer da leitura. Tom King e Joshua Williamson conseguiram um resultado coerente, desenvolvendo bem a relação entre dois personagens pouco trabalhados como dupla. Batman e Flash aqui conseguem alcançar uma sintonia muito boa.

O resultado dos eventos vividos nessa história abala um pouco a percepção do Batman quanto à sua escolha em vestir o manto do Morcego. Flash e Batman se identificam através das tragédias que os acometeram na infância. “Você é a única pessoa que conheço que sofreu perdas como a minha… e que também teve um vislumbre da alternativa. Um momento de esperança, um sonho de menino. É quase cruel” diz Batman ao se referir ao encontro de Barry com sua mãe quando ele voltou no tempo em Ponto de Ignição. A resposta de Flash é uma boa mostra de seu modo de encarar as coisas “Vejo isso como um presente”.

As tragédias nas infâncias dos dois heróis são lembradas aqui

No final das contas o que se esperava do encontro foi muito pouco desenvolvido, temos um curto diálogo do Manhatan com Laurie, que já lemos em Whatchmen e que abre este texto. É uma pequena pista, e o arco se encerra com o anúncio que já movimentou a internet esta semana, o Doonsday Clock, minissérie que trará o confronto entre Superman e Manhatan no mês de Novembro.

O saldo positivo foi uma boa história com desdobramentos que se bem trabalhados por King, podem tornar o Batman ainda mais interessante em seu combate ao crime, e o aumento da expectativa pelo retorno dos heróis da SJA. Poderiam ter deixado de lado o excesso de expectativas ao usarem o Boton e as referências como grande chamariz do crossover, já que este não foi, claramente, o tema central abordado.

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