Por LourinaldoJr.

Em Batman Rebirth, Scott Snyder e Ton King pavimentaram os caminhos a serem trilhados pelo Homem Morcego daqui por diante. Foi apresentada uma nova parceria com Duke Thomas, uma nova roupagem para o vilão Calendário, e vimos também ao longo de “DC Universe Rebirth” dois novos personagens que darão as caras em Gothan.

Em Detective Comics #934, basicamente teremos a Batwoman recrutando e treinando alguns dos vigilantes de Gothan, entre eles, Tim Drake e Cassandra Cain, a pedido do Batman. A intenção é manter uma força-tarefa que auxilie o herói no combate ao crime, algo que já estamos habituados a ver no Bat-verso. Nada promissor por enquanto.

Em Batman #1, temos um roteiro bem mais frenético, e um Batman mais ousado. O roteiro de Tom King foi capaz de nos entregar uma ação além dos confrontos corpo a corpo e perseguições com batmóvel. Temos nesta edição de estréia  do autor, uma sequência de tirar o fôlego. A edição inicia com no interior de um avião e quadro a quadro vai nos transportando a um diálogo entre Batman e  Gordon que é rapidamente interrompida quando um míssel atinge o avião. Daí pra frente Batman trava uma corrida contra o tempo para tentar, acreditem, salvar o avião da queda desviando-o para um rio.


É uma sequência de ação pura, de tirar o fôlego. King consegue dar um tom equilibrado às ações do Batman evitando que tudo pareça exagerado e acabe se tornado caricato. Mas também não há uma preocupação em ser realista e verossímil demais. A arte de David Finch (desenhos) e Matt Banning (arte finalista) consegue acrescentar agilidade à hq complementando muito bem a proposta do roteiro. O papel dos ajudantes, Duke e Alfred, especialmente do segundo são bem desenvolvidos, Duke como aquele que não estará o tempo todo à disposição do mentor, pois já afirmou, em Batman Rebirth que não deseja ser outro Robin, aparece apenas para oferecer o necessário. Já Alfred continua desempenhando seu papel fundamental de apoio ao Batman. O único deslize do roteiro, foi a sequência em que o Batman, certo de que não sobreviveria à aterrissagem forçada do avião, pergunta a Alfred se seus pais se sentiriam orgulhosos dele, foi um momento que não transmitiu a emoção que pretendia e acabou num tom piegas e desnecessariamente voltou ao drama da origem do herói.

No final somos surpreendidos com a presença do misterioso ser auto intitulado Gothan e da, acreditem, Gothan Girl (sério?). Que por sinal já eram esperamos desde a divulgação dos plano dessa nova série do morcegão e também por serem vistos na capa desta edição, além de terem sido apresentados rapidamente em DC universe:Rebirth. Como, Batman irá lidar com a presença de seres super poderosos querendo assumir o papel de defensores de Gothan, quem são e qual o impacto deles no Universo DC, são algumas das questões que o final este primeiro número nos lançou.


Batman #1, nos trouxe um roteiro que colocou o Batman num papel típico de super-herói, mas não esqueceu de apresentar suas limitações, Tom King nos faz lembrar, ao mesmo tempo, o por que do Batman ser tão grande num mundo que tem o Superman e a Mulher Maravilha, mesmo sem esquecer que diante dessa grandeza há um mortal frágil e atormentado por seus traumas e limitado por suas fraquezas inerentes ao ser humano. A série que se despediu recentemente da dupla Snyder e Capullo , após 51 edições muito bem conduzidas e que ajudaram a redefinir o Homem Morcego para uma nova geração, recebe agora uma nova equipe que já na estréia mostra que o Batman estará em boas mãos. O próprio King disse em entrevista recente à CBR, que o Batman nunca precisou renascer.  Em um universo de lendas, Batman comprova sua grandeza com uma mitologia sólida, e quando  nas mãos certas, consegue alcançar patamares que justificam seu papel imponente como um dos ilustres membros da famosa trindade dos quadrinhos.