por Lourinaldo Jr.
BATMAN_44_capa-600x917
Nesta edição temos o novo Batman em dois perfis diferentes, em Batman #42, de Scott Snyder e Greg Capullo, Jim Gordom já está mais determinado a cumprir seu papel de protetor de Gotham e nos oferece questionamentos que fundamentam essa nova fase para os leitores. Em Detective Comics #42, de Francis Manapul e Brian  Buccellato, o Batman se mostra mais inseguro e inexperiente na nova jornada.

 

Peso Pesado parte 2

4554856-batman42
Capa de Batman #42

A segunda parte do arco que introduz o novo Batman, consolida as relações da equipe de apoio com Jim Gordom, além de apresentar uma determinação maior do ex-comissário de polícia no seu novo papel como protetor de Gotham. Começamos na primeira página com um diálogo encenado entre duas action figures, uma do Batman antigo e outro do atual, trazendo as comparações inevitáveis que pode ser uma leitura bem representativa das conversas entre os fãs do morcegão. Somos apresentados a uma Batcarreta, quando achávamos que o Batcoelho-robo-gigante já era demais, e aí podemos imaginar que Snyder sabe muito bem o que está fazendo, quando começa a brincar com toda a situação que vai se desenrolando para estabelecer as mudanças, termos como “Bat-app” e “batbigode” dão o tom da galhofa. Afinal de contas o Batman  original, sempre foi afeito a esses brinquedinhos e quando uma equipe, como a que acessora Jim Gordom, tem grana e permissão para brincar com possibilidades o resultado não seria diferente.

Os diálogos foram o ponto forte dessa edição, Snyder sabe equilibrá-los muito bem com a ação e administra os saltos cronológicos de forma que não confunde o leitor. O diálogo com Maggie, além de dar pistas do novo vilão, o Jardineiro, e seu modus operandi, acrescenta um ponto de vista interessante ao novo status do Batman como oficial da lei. A conversa deixa clara o uso da imagem do Batman apenas como elemento para inspirar a sociedade, transmitindo a sensação de proteção que o herói sempre trouxe a Gotham. Na verdade a intenção é usar a força policial no verdadeiro combate ao crime, usando a o Batman apenas como o novo garoto propaganda da lei. Os questionamentos sobre onde isso pode levar, e a decisão de Jim de seguir em frente, mesmo violando as diretrizes, quando ele decide assumir sozinho as investigações, o coloca no mesmo lugar de Bruce. A diferença aqui é que desde o início Gordom sabe que está agindo ao lado do sistema, e diferentemente do antigo Batman, ele tem a chance de mostrar que o sistema no qual acredita ainda pode funcionar e oferecer segurança e justiça para o povo de Gotham. Porém os dilemas apresentados nesse número mostram que para ser de fato o Batman ele terá que abrir mão de seguir à risca a lei e começar a agir por conta própria. A partir deste ponto Jim Gordom se questionará sobre o seu novo papel nessa história.
O combate com o Gee Gee Heung, serviu para conduzir todas as pistas sobre o desafio que Batman terá pela frente ao lidar com o Jardineiro, que não deu as caras, mas já foi apresentado através evidências e promete ser um vilão peso-pesado, conforme sugere o título do arco. A arte da edição a cargo de Capullo e Miki são um show à parte. As mudanças de tonalidade em cenas ora claras, ora mergulhadas em sombras, revela uma equipe de arte tão competente em mudar o tom dos quadros quanto o roteirista é competente em mudar o tom da ação quando passa de ótimos diálogos para as cenas de luta.

No final quando voltamos ao debate dos dois batmem da página inicial, percebemos que agora estamos num abrigo infantil onde Bruce Wayne está trabalhando. Aparentemente sem saber qual sua verdadeira identidade, ele se surpreende com a presença do Gordon e provavelmente teremos mais um ótimo diálogo no próximo número.

Parcerias

Detective_Comics_Vol_2_42_Textless.jpg
Capa de Detective Comics #42
O arco inicial da nova fase de Detective comics está focado em Bullock e Montoya, trazendo o Batman como elemento secundário até o momento. Aqui o papel do Batman é bem diferente, uma vez que temos o ponto de vista dos policiais e não do próprio Gordom. Começamos com uma luta, onde o herói é imobilizado pela gangue La Morte, e acaba virando piada no DPGC, por ter necessitado da ajuda da polícia, perdendo assim credibilidade entre os policiais.
A presença de Montoya suscita questionamentos, muito bem trabalhados nos diálogos com Bullock. Enquanto ela representa a vontade de mudança e busca lutar contra a corrupção dentro do departamento de polícia, Bullock representa o policial calejado, que mesmo não concordando com as falcatruas, parece condescendente, achando que não é mais capaz de mudar o sistema. Tudo aqui parece girar em torno do quanto podemos confiar na polícia e na justiça. Enquanto Yip recebe seus telefonemas suspeitos, pistas de que talvez haja uma traição em andamento vão ficando muito evidentes dentro do roteiro.
O que a equipe criativa deixa bem estabelecido aqui, é que o novo Batman ainda não está preparado para um grande vilão, então enfrentar a gangue e ainda assim com dificuldades, tornam a narrativa mais verossímil. Seria estranho em meio a tantas dúvidas, Gordom conseguir derrubar seus oponentes com certa facilidade ao vestir a armadura. Ele precisa lidar com os dilemas de assumir o Manto do Morcego, mesmo sem se sentir totalmente à altura, e ao mesmo tempo cumprir seu papel de combatente em durante esse aprendizado. Tudo ao mesmo tempo, não parece tarefa fácil. E o final da edição dá uma dica da abordagem mais crua que Jimbo tentará seguir daqui por diante.