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Esta edição tem um papel importante para estabelecer o novo cenário da fase atual do Batman. Conhecemos o novo Bruce Wayne, e suas motivações. No início da edição o próprio Bruce tem uma conversa com Gordon onde deixa claro seus planos daqui por diante, observamos um novo Bruce que está ciente de seu passado, porém daqui para frente prefere seguir novos caminhos. Também temos a constatação de que o Batman original está morto de uma maneira muito mais definitiva que a material. Enquanto isso Gordon ainda está perdido na sua nova trajetória, ele aceitou o Manto do Morcego, não como um emprego, mas por acreditar que o legado precisa de uma representação que traduza exatamente a importância do homem morcego nas ruas de Gothan. Ele acredita que como Batman, e ao lado da justiça, ele pode unir os dois ideais historicamente representados pelas figuras do herói maior de Gotham e Jim Gordom. Jimbo ainda procura o caminho certo e ao longo das últimas edições temos acompanhado sua preocupação em alcançar o tom certo ao usar o uniforme. Ele busca ajuda com aqueles que entendem e podem oferece uma idéia do que é ser o Batman, e essa é uma das características interessantes dele, pois, alguém não pode simplesmente vestir o manto e sair por aí como se sempre estivesse pronto para ocupar o lugar de Wayne. E agora ele teve a oportunidade de procurar aquele que trouxe o Batman à vida e poderia dar a direção certa para o seu substituto. No entanto sua conversa com Bruce foi, aparentemente, infrutífera.

O diálogo fundamental da edição é, sem dúvida, travado entre Clark e Alfred. Alfred descreve tudo o que se passou desde a suposta morte de Bruce, em Fim de Jogo, e como se deu seu renascimento. É interessante notar o conceito de que após essa nova chance em sua vida, Bruce representa um nova perspectiva, como se o Batman tivesse finalmente vingado o garoto que perdeu os pais, anos atrás, resgatando-o para seguir adiante. Esse novo Bruce Wayne, não é o Batman, e não pode ser, pois ele representa uma nova possibilidade, como se o pequeno Bruce tivesse prosseguido sua vida sem o trauma da morte dos pais, e sem ter idealizado o Batman. Merece destaque a fala de Bruce quando ele diz a Alfred no flash back, que não sente mais a perda dos pais. Nessa frase ele demonstra que o único motivo que justifica e existência do Batman, e por isso ele não pode mais assumir essa personalidade. Veja como Bruce se refere ao “garoto no beco” como alguém com que ele se quer se identifica.

Me sinto muito mal por aquele garoto no beco, mas não posso ser quem ele era. Não é quem sou.

Snyder explora muito bem a origem do Batman e como ela reverberou até hoje em sua existência. A máquina que tem como objetivo manter vivo o legado, não poderia cumprir seu papel sem desenvolver nos sucessores de Wayne o mesmo trauma que o motivaram a criar o Batman. É uma invenção no mínimo assustadora.

Na última parte temos o combate entre Batman e os porcos demônios, numa sequência que já sinaliza uma evolução do novo herói, com um batalha muito bem retratada pela equipe de arte. Os elementos bizarros, como o tubarão com chifres, são um contraste interessante que traz um tom mais divertido a este momento da história, sem descartar a boa ação. Capullo, Miki e Plascencia conseguem caminhar muito bem no universo sombrio de Gotham, como vimos no esconderijo dos porcos demônios, e ao mesmo tempo trabalhar com momentos mais leves e iluminados como nas sequências do flashback e do orfanato. O resultado é um visual que oferece o tom adequado a cada momento da edição.

E por fim a aparição do Jardineiro. Um novo vilão que flerta com o mundo do crime, e ao mesmo tempo traz elementos do sobrenatural. A sequência final deixa claro, que, também não haverá espaços para novos vilões nessa fase da série, trazendo simbolicamente a imagem final do Jardineiro eliminando o Pinguim.

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Em Detective Comics, temos o novo Batman enfrentando a gangue La Morte, que consegue cumprir a missão de roubar o núcleo de força da armadura. O plot de Bullock caminha na direção previsível, com a confirmação da traição de Yip, e mostra a proximidade com o momento retratado no prólogo dessa nova fase que foi publicada em Batman 43. A revelação da Filha do Coringa como a vilã por trás das ações de La Morte e a concretização de seus planos são o ponto fraco da edição. O “Coringobô” de fato não me faz querer saber o que temos para o próximo número. A passagem de Brian Buccelato em Detective Comics traz um lado interessante da nova relação do Batman com a polícia de Gotham, representada pelas figuras de Jim Gordom e Harvey Bullock, respectivamente. Este é o ponto alto até aqui. Também é muito bom ter a Montoya de volta, e a trama envolvendo a corrupção policial e todo questionamento em torno do papel do Batman, agora que o original não está mais nas ruas, é o caminho mais indicado para o sucesso dessa série por ter gerados bons diálogos reforçando o desenvolvimento dos papéis de cada um. Explorar novos vilões  exigirá uma sintonia mais forte com o que foi construído para o Batman nos Novos 52. Ver as edições de Batman e Detective Comics juntas no mesmo mix traz uma certa desvantagem ao roteiro de Buccelato, uma vez que Snyder teve 40 edições para construir uma nova mitologia para o homem morcego, permitindo-o agora fazer melhor proveito de tudo isso.