por Lourinaldo Jr.*

Com o lançamento dos Novos 52, a DC Comics não conseguiu uma aceitação unânime do novo universo surgido após os eventos de Ponto de Ignição (Flashpoint, 2011). Novos 52 foi uma iniciativa ousada, que recontou para todos os leitores, e não só os novatos, a história do Multiverso DC. Diferentemente da Marvel que cuidadosamente criou seu Ultiverso, para abraçar novos leitores, sem mexer no que já existia, a DC comics deu um passo perigoso, redefinindo conceitos, redesenhando personagens e eliminando outros.

Agora com a iniciativa Rebirth, a DC tenta através da regência de Jeoff Johns dar um sentido a tudo isso, trazendo de volta o que querem os fãs, mas sem jogar fora tudo o que foi construído até aqui, desde que a realidade foi alterada, criando o universo dos Novos 52.

O que parecia óbvio é que esse reboot veio como consequência do Ponto de Ignição, quando o Barry Allen tentou alterar o passado salvando sua mãe da morte provocada pelo Flash Reverso. Bem sucedido em sua empreitada as consequências dessa mudança no passado gerou o que chamamos de “paradoxo flashpoint”, com efeitos catastróficos, uma nova realidade foi criada a partir de então, e o Flash mais uma vez tenta mudar o rumo da história, para trazer tudo ao que era antes. Essas idas e vindas no tempo foram seguidas pelo lançamento do reboot polêmico que mudou sem pudores os personagens do Universo DC.

Agora, para trazer de volta velhos conhecidos e restabelecer aquilo que os DCnautas claramente querem de volta, a DC tenta conectar todos esses eventos, de forma que nada seja desperdiçado. Então temos, através do ponto de vista de um dos personagens “esquecidos”, uma explicação para o surgimento dos Novos 52 como algo que pode ser mantido na cronologia, além de justificativas para trazer de volta os demais conceitos colocados no passado. Jeoff Johns é um roteirista que já se mostrou competente em reverter eventos sem tomar atalhos muito curtos, desenvolvendo boas explicações para o que parecia difícil de explicar, dois bons exemplos são os “Rebirths” de Hall Jordan, e do próprio Barry Allen. Com excecessão da lamentável “Crise Infinita”, Johns mostrou ao longo dos de sua carreira na DC que consegue reunir muitos conceitos da cronologia para construir uma boa história e “ressuscitar” alguns personagens, a exemplo de seu trabalho na mitologia do Lanterna Verde e agora em Liga da Justiça.

Basicamente o que lemos em DC Universe: Rebirth, é que as mudnças não foram causadas pelo Ponto de Ignição e sim, por que alguns seres roubaram uma década da história dos personagens, gerando mudanças em toda a realidade. Não deixa de ser uma alteração das coisas como as conhecemos, mas tal explicação deixa margem para acreditarmos que este universo continua sendo o mesmo de sempre, só que esse tempo apagado produziu mudanças no rumo da história que transformou as lendas em novatos, e portanto, nos ofereceu novos começos, que na prática funcionam como recomeços, por assim dizer.

Basicamente isso é tudo o que se explica, quase toda história vai distribuindo em suas várias partes, alguns plots que deverão se desenvolver nos próximos meses. Perguntas são lançadas, e claramente, DC Universe: Rebirth tem o papel lançar várias pontas que deverão ser amarradas ao longo dos lançamentos que virão pela frente. É um festival de reencontros e resgates que pode fazer os DCnautas vibrarem, fica a torcida para que tudo seja aproveitado como promete esta edição.

 

[A partir do próximo parágrafo o texto contém spoilers]

 

Este one-shot está dividido em quatro capítulos e um epílogo.

O capítulo 1 – “Perdido” – Começa com uma narração em off e uma sequência que passa das engrenagens de um relógio para a mansão Wayne. Na Batcaverna, enquanto o Batman tenta entender o por que da existência de três Coringas, de acordo com o que a cadeira de Mobius o informou durante os eventos da Guerra Darkside, uma surpreendente visita aparece. O narrador em questão que nos guiará por toda a história é Wally West, vestido com o traje do Kid Flash.


Ele tenta se comunicar com o Batman, e o alerta para verificar a carta de Thomas Wayne, que segundo ele foi onde tudo começou. Diante da confusão do Batman, por não reconhecer aquele Flash, Wally desaparece, e continua uma trajetória que o conduzirá a vários lugares e personagens diferentes. Logo em seguida toda a origem do Wally é mostrada, seguida de um resumo do que ocorreu em Ponto de Ignição e nos últimos quadros desse capítulo é revelado que alguém roubou dez anos dos heróis, mas pouco é revelado.

Capítulo 2 – Legado – Começa com um idoso num asilo, tentando fugir acreditando ter coisas importantes a fazer. Este é um dos personagens que Wally visita e tenta estabelecer contato, o recado para este senhor é que ele deve procurar a Sociedade da Justiça, e durante a conversa percebemos que ele se chama Johnny (trovoada:).


A próxima parada é uma sala onde uma garota, cuja identidade não é revelada, está sendo interrogada e diz que precisa falar com o Superman, que é dado como morto devido aos acontecimentos do arco “Superleague”. A jovem misteriosa diz que esperará por ele pois, sabe que tudo terminará bem, e justifica seu argumento dizendo que veio do futuro, junto com ela a policial diz que encontrou um anel, que a identifica (para nós leitores) como membro da Legião.


Nas sequência seguinte temos uma conversa entre Ray Palmer, que está perdido no microverso, e seu assitente, Ryan, que recebe a missão de salvá-lo após receber o cinto que o permite encolher.


Passamos para uma conversa entre Ted Kord e o atual Besouro Azul, Jayme. a conversa revela o interesse de Jayme em se livrar do escaravelho. Logo após a saída do Besouro Azul, Ted recebe a visita do Dr. Destino que o alerta sobre o escaravelho não se tratar de tecnologia extraterrestre, e sim de magia, o que deixa o Ted Kord ainda mais entusiasmado.

Em seguida temos uma imagem de alguns membros da futura equipe dos Novos Titãs que será comandada por Damian Wayne, temos a Jessica Cruz, e encerrando este capítulo temos maas uma curiosa sequência, agora envolvendo Pandora.

Capítulo – 3 – Amor – Temos um passeio pelo cenário atual da DC, uma pista das próximas revistas de Rebirth, então vemos Arqueiro Verde e Canário Negro, Superman e Lois (pré Flashpoint), Aquaman e Mera, etc.

Esta parte é mais um grande teaser dos próximos títulos que irão estrear a partir de junho. No fim temos um diálogo entre Wally e Linda Parker, para quem não a conhece, a esposa de Wally antes dos novos 52. Wally diz a linda que ela deve tocá-lo para que ele possa voltar. No entanto contrariando as expectativas, linda ão o reconhece e mais uma vez, a força de aceleração o leva para longe de lá.

Capítulo 4 – Vida – A parte mais relevante deste capítulo nos mostra os momentos finais de Wally, que está prestes a ser tragado pela Força de Aceleração. Após vermos alguns dos personagens que voltarão nas mensais de Rebirth, como Asa Noturna, cap. Bumerangue entre outros, Wally aparece numa sequencia que tenta justificar e existência do outro Wally West (aquele dos novos 52). A justificativa usada foi que Iris West teve dois irmão, um dos quais, Daniel West, era mais afastado da família. Daniel quando teve um filho, em homenagem ao bisavô do garoto o chamou de Wally. Que teve o mesmo destino do Wally clásico ao ser atingido por um raio e adquirido a força de aceleração.

No fim, temos um diálogo entre Wally e Barry Allen, que não o reconhece imediatamente. À  medida que Wally vai desaparecendo, num diálogo emocionante de despedida, Barry consegue se lembrar dele e o puxa de volta à realidade.

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Este evento faz com que Barry comece a recuperar lembranças que só wally tinha. Wally alerta Barry de que eles precisam procurar o Batman para alertá-lo sobre a carta de Thomas Wayne, porém Batman já está investigando a informação que havia sido dada pelo Wally no começo da edição e encontra algo curioso e bastante revelador.


Epílogo – Aqui temos o relógio mostrado na primeira página, com suas engrenagens sendo reconstruídas, e nos recordatórios um diálogo que sugere o Dr Manhatan.


E assim termina a edição que teve o papel de servir como grande anúncio das mudanças que virão em Rebirh. Vamos esperar e torcer para que a diversão seja excelente!

*Este artigo foi publicado em 25 de maio de 2016 quando a edição americana chegou às bancas.