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E se em um dia qualquer da sua vida você ao acordar desse de cara com um pequeno animal em frente a você? E se esse animal falasse com você e dissesse que é um cavaleiro sagrado com a missão de salvar uma princesa e a Terra de um feiticeiro do mal e precisasse da sua ajuda? O que você faria?

Bom, é assim que começa a aventura no mangá Hoshi no Samidade, ou Lúcifer e o Martelo, do mangaká Satoshi Mizukami, como ficou conhecido em sua publicação em terras BR (o titulo internacional da obra é The Lucifer and Biscuit Hammer).

Somos apresentados ao protagonista Yuuhi Amamiya, um rapaz já saindo da adolescência, aluno de faculdade e sem amigos, e a um pequeno lagarto que diz ser um cavaleiro, Noi Crescent (sim você leu certo, aqui os cavaleiros são animais). Noi explica que faz parte da ordem dos cavaleiros das feras sagradas, composto por 12 cavaleiros e que juntos às pessoas escolhidas, tem a missão de proteger uma princesa e lutar contra o feiticeiro que ameaça destruiu a Terra com um martelo gigante, que fica flutuando no espaço e que ninguém consegue ver a não ser eles. Só que Yuuhi não quer participar disso, pois para ele tanto faz se a terra for destruída ou não. Na verdade ele até prefere que a destruição aconteça. E tudo se complica mais ainda, quando ele conhece a princesa, uma garota de 15 anos chamada Samidare Asahina e ela diz querer vencer essa guerra contra o feiticeiro para que ela mesma destrua a terra. Essa determinação acaba por contagiar Yuuhi que aceita lutar ao seu lado para juntos realizar esse sonho da princesa.

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E é assim que começa essa história com uma cara de um shonen básico de aventura, porrada e cavaleiros, com coisas clichês, tipo a princesa ser a vizinha do Yuuhi, porque sim, (calma isso não é spoiler, acontece na terceira pagina), os cavaleiros ficarem ensaiando nomes de golpes legais pra falar durante a luta (e os nomes são clichês mais bem legais).

Porem o mangá vai, além disso, além do básico, ele é profundo, explora bem seus personagens, seus traumas e seus desejos. A trama gira em torno do feiticeiro (Animus) querendo destruir a Terra, os cavaleiros tentando impedir essa destruição e Yuuhi e Samidare lutando ao lado dos cavaleiros, mas secretamente querendo a destruição da Terra no final. Além disso, há ainda o desenvolvimento emocional de muitos dos personagens, os traumas de infância de alguns que fazem tomar certas atitudes perante as situações.

À primeira vista você pode achar algo básico, com um tom leve de comedia e sem muita pretensão, mais à medida que a história avança a complexidade da trama vai te atraindo, fazendo você repensar certos conceitos e ter uma visão mais ampla da vida. Na opinião de algumas pessoas que já leram (e na minha também) Lúcifer e o martelo é um mangá sobre como se tornar adulto, ou o que é ser um adulto, e todas as consequências que vem junto com essa mudança; Vale ressaltar que há uma grande variedade entre as idades dos cavaleiros escolhidos, desde crianças do fundamental a adultos de idade avançada.

Creio que vale muita a pena para quem quer uma leitura divertida mas com um ar um pouco mais “pé no chão” porém que te surpreende em alguns momentos, faz perder o folego em lutas bem dinâmicas, e porque não, se emocionar com os personagens que são todos cativantes.

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O mangá foi finalizado aqui no Brasil no ano de 2015 num total de 10 edições pela editora Jbc com o titulo de Lúcifer e o Martelo. Infelizmente não há uma versão dessa obra em anime, o que é uma pena, pois acredito que a baixa popularidade da obra tenha influencia nisso, e talvez também pela opção de nome escolhido pela editora. Ainda é um tabu em uma sociedade inteira fortemente cristã como a brasileira ser comercializada uma obra para jovens com esse título.  Não querendo polemizar, digo isso, pois conheço alguns colecionadores que deixaram a obra passar justamente por conta do titulo.