por Lourinaldo Jr.

capa

O panteão do Homem de Aço sofrerá muitas mudanças durante Rebirth, além do retorno do Superman pré Ponto de Ignição, que ocorreu durante a minissérie Lois & Clark, teremos novos heróis com o “S” no peito, um deles estará atuando do outro lado do mundo, na China. Seu nome é Kenan Kong e será conhecido por todos como o novo Super-Man.

A edição de estréia começou com roteiro leve e bem desenvolvido, sem acelerar demais e dando tempo para que conhecêssemos melhor os personagens envolvidos nessa nova realidade, bem distante do solo americano. O roteiro ficou nas mãos de Gene Luen Yang, que consegue trabalhar muito bem neste número, os aspectos básicos do caráter do protagonista. É uma boa história de origem, ele quebra um pouco o estereótipo do típico herói altruísta, apresentando Kenan Kong, o adolescente valentão, que não tem uma família exemplar fazendo-o bem diferente do escoteiro que é o Clark Kent. Os problemas do garoto foram colocados, e ainda podem se desenvolver melhor em edições futuras. A única crítica ao início da trajetória do herói é a rápida transformação que ele sofre para adquirir seus super poderes, o roteirista poderia ter trabalhado melhor esse processo, isso sem dúvida poderia envolver mais o leitor, uma vez que mesmo sem mostrar o garoto com os poderes, tivemos uma boa história.

Há relações que parecem tentar reproduzir a rotina do Clark na vida de Kenan, uma repórter que se interessa por uma história envolvendo-o chamada Laney Lan, e o garoto rico, Luo Lixin, herdeiro de uma família que, de alguma forma parece ter ligações com a morte da mãe de Kenan. As motivações da Dra. Omen ainda são pouco esclarecidas mas estão relacionados com uma agência secreta do governo, o Ministério da Autoconfiança, que o próprio pai de Kenan investiga com um grupo de amigos e deseja um dia provar que existe. Com este plot, o envolvimento de Kenan com o tal ministério é um elemento interessante que cruzará os interesses do seu pai com as mudanças que ocorrerão em sua nova vida de super-herói.

Os desenhos de Viktor Bogdanovic, tem traços limpos, que às vezes lembram um pouco o estilo de Greg Capullo em Batman, e ele costuma caracterizar os personagens um pouco fora dos padrões, sem os exageros estéticos mega anabolizados que toma conta das HQs americanas.

Parece que a série do Super-man não tentará, por enquanto, se relacionar com as demais séries diretamente ligadas ao Superman, nem o “S” no uniforme do herói chinês se parece com o do Homem de Aço. Foram trazidas idéias que, se desenvolvidas bem, poderão trazer uma atmosfera interessante para a criação de um herói em uma cultura distante e bem diferente da americana. A sensação de que o Superman, apesar de conhecido, está distante da realidade dos chineses, como se fosse um herói nunca presente, foi bem retratada. A equipe criativa conseguiu criar uma boa atmosfera, sem ficar na dependência de recorrer ao Superman original, e dando chances de criar uma série autônoma que pode explorar possibilidades interessantes em solo chinês, mesmo sendo uma estratégica importante para penetrar num mercado tão amplo, é bom torcermos para que os roteiros possam ousar e explorar esse plot inicial sem medo.