por Lourinaldo Jr.

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     Brian K. Vaughan ( Y, o último Homem e Saga) traz mais uma série para a Image comics, com desenhos de Cliff Chiang (Mulher Maravilha – Sangue) e cores Matt Wilson (Vingadores vs. X-men). Paper Girls conta a história de quatro garotas entregadoras de jornal, que vivem nessa longa edição de estréia uma aventura num estilo que nos lembra aqueles ótimos filmes infanto-juvenis dos anos 80, e talvez não por acaso tudo se passa em 1988.
     Erin é uma entregadora de jornais que encontra mais três garotas que realizam o mesmo trabalho, KJ, Mac e Thiffany. Durante esse primeiro contato com elas viveremos uma saga interessante envolvendo acontecimentos no mínimo intrigantes. A história nos traz algumas referências como a Apple, chegando a iniciar com uma maçã, e a astronauta Christa McAuliffe. No dia seguinte ao dia das bruxas, as meninas se encontram e Erin, a novata da turma, será guiada por Mac (a primeira garota a exercer esta função no bairro) ao longo da jornada para aprender mais sobre os macetes do trabalho. Nesse trajeto elas se deparam com um grupo de rapazes nada amistosos, uma patrulha da polícia e um grupo de estranhos que parecem não ser desse mundo. Em todos os casos Vaughan vai nos oferecendo mais sobre as personagens, até o ponto em que temos um clifhanger no mínimo curioso.
    Este número trabalha muito bem a relação das garotas, não desenvolvendo muito a história, e sim, suas personalidades. Durante a leitura, temos uma sensação agradável de acompanha-las, pois trata-se de um roteiro que quer colocar as meninas no protagonismo da série, em um universo que, pelo menos naquela época era tipicamente masculino, sem esquecer o quanto elas devem enfrentar dificuldades e preconceitos para realizar seu trabalho. Os diálogos são agradáveis e gostosos de ler, nos fazendo sentir como se fizéssemos parte da turma, e querendo ver mais daquela madrugada agitada que se estende nas quase 50 páginas da edição.
     Os desenhos de Cliff Chiang dão um tom meio cartunesco, com traços grosseiros e arte final suave, complementados pelas cores bem simples de Wilson. O resultado é um visual de encher os olhos num design de capa belíssimo pela simplicidade, assinado por Jared K. Fletcher. Como de costume neste quesito, a Image tem dado aula, nos entregando belíssimas edições, que se complementam através do material extra no fim, que achei muito bacana, mas deve funcionar melhor dentro da cultura deles, onde o entregador de jornais tem um papel social diferente e menos desvalorizado que aqui no Brasil.
     Trata-se de uma aventura, com personagens femininas, jovens, valentes e fortes. Nesta aventura nós nos divertimos num roteiro em grande parte simples, que nos prende pela qualidade dos diálogos e a incrível capacidade de Brian K. Vaughan apresentar tão bem as personagens, ele consegue nos transportar para dentro da história, e sentir algo como uma nostalgia de um momento que tudo parece um desafio em nossas vidas, mas nunca nos sentíamos desencorajados a enfrentá-los. Paper Girls teve uma ótima estréia, e mantém o nível de excelência que a Image conseguiu alcançar com suas excelentes obras, não à toa que foi premiada com o Eisner de melhor série.