Em meio ao Hype de “Rebirth”, a DC comics também está lançando novidades da Hanna-Barbera, com reformulações de personagens clássicos como Future Quest, Os  Flintstones e a Turma do Scooby-Doo. Em Scooby Apocalypse, Jim Lee criou novos conceitos para uma história que coloca os famosos personagens da infância de muitas gerações em uma linguagem muito próxima da utilizada nas hqs de super-heróis, mas sem deixar de incluir o charme do universo criado por essa equipe ainda nos anos sessenta.

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O roteiro é de Keith Giffem, com diálogos de J.M. deMatteis, uma dupla que já conquistou uma legião de fãs com seu aclamado trabalho na Liga da Justiça Internacional. Num desenvolvimento que pretende mostrar o primeiro contato entre os personagens, que deverá culminar na formação clássica, a dupla de roteiristas conseguiu eficientemente nos apresentar cada um deles de forma inovadora, dando uma motivação real e atualizada para seus papéis numa vida antes de reunião dos cinco. Há tempo suficiente para nos ambientar na vida de cada um e sabermos exatamente o que eles são e fazem num momento anterior àquele que os tornou tão familiares. Mesmo assim, não houve uma reformulação que abandonasse a essência de cada um dos personagens. O que a equipe criativa conseguiu, foi utilizar os arquétipos de cada um para desenvolver uma personalidade mais bem definida, com uma história por trás. Os personagens passam a ter um passado que vamos conhecendo quadro a quadro, a cada encontro.

É digna de nota a reformulação do Salsicha, um hipster largadão, que trabalha como adestrador de cães, e conhece Scooby quando é contratado para fazer parte de um projeto secreto do qual também faz parte Velma, uma cientista que participa de um ambicioso projeto que vai ser a motivação para que ela procure a dupla de jornalistas Daphne e Fred, para denunciar suas suspeitas quanto ao rumo desse trabalho. A partir de então sentimos  a motivação da equipe ser construída no que com certeza culminará no apocalipse que compõe o título. Interessante também a forma como Scooby se comunica com os humanos, utilizando a tecnologia, mas não eliminando o carisma e o charme do famoso dog alemão.


A arte de Howard Potter completa a proposta de nos trazer uma atmosfera mais completa para este universo. Temos também uma riqueza de detalhes nos ambientes apresentados que tornam a leitura mais impactante. Os designs são bem desenvolvidos, especialmente na forma de comunicação entre Scooby e Salsicha, que acontece através de uma espécie de smatglasses com uma interface, que através de emojis vão dando idéia das emoções do cão.

Scooby Apocalipse, traz uma turma que faz sucesso através de gerações, e se propõe a não ser apenas uma transcrição do desenho (alguma das versões) para as páginas de uma hq. A proposta é trazer esses personagens para uma realidade que não seja tão parecida com a nossa, mas que possa ser imaginada como algo real e possível dentro de um universo que a DC sabe construir bem, o do fantástico e sobrenatural. A hq tenta conferir aos personagens um tom mais sério sem tirar deles as características que fariam um fã comprá-la. É para novatos e veteranos.