por Lourinaldo Jr.

O Filho do Superman

 

Capa por Patrick Gleason, Mick Gray e John Kalisz

img_1315Anos atrás Geoff Johns e Richard Donner, escreveram um excelente arco entitulado O Último Filho, onde se arriscavam a incluir um filho, ainda que adotivo, na vida do Superman. Este arco inclusive foi republicado recentemente pela Coleção da Eaglemoss. Naquele período parecia muito ousado transformar ícones desse universo em superpais, aí veio Grant Morrison que ressuscitou uma velha história envolvendo Bruce Wayne e Thalia Al Gul, e hoje temos o Damian, (na minha opinião um dos melhores Robins, depois de Tim Drake) que está presente e estabelecido no cânone do Batman. Morrisson mostrou que um filho do Batman era possível, então por que não um filho do Superman?

Vimos durante convergência o nascimento de Jonathan Kent, e em seguida o destino do Superman pós-Crise, em “Superman: Lois & Clark”. Agora, a nova série mensal focará na inclusão do Superman no novo mundo em que se encontra e nas preocupações relacionadas à criação de seu filho e nos ensinamentos de como o garoto deve lidar com seus poderes.

Jonathan tem muito o que aprender, pois como qualquer criança, terá muitos questionamentos para seus pais. Considerando o bom trabalho dos pais adotivos de Clark, é de se esperar que este mesmo tenha bons ensinamentos para transmitir nesse novo papel. O grande nó a se desatar é a inserção da família numa realidade à qual ela não pertencia até pouco tempo. Com a morte do Superman nesta realidade, como visto em “Os Dias Finais do Superman“, Clark não deverá enfrentar problemas para assumir seu papel em Metrópolis, esta situação já está sendo desenvolvida em “Action Comics”. Resta saber como Lois e Jonathan vão se enquadrar nessa situação. Sabemos que a Lois dos Novos 52 será a Super Woman, então teremos, talvez, a substituição com a Lois pós-Crise?


Voltando aos problemas com Jonathan, vimos que para uma criança que tem um pai como o Superman, não parece fácil conter seus poderes. Numa simples perda de controle em defesa de seu gatinho de estimação, o garoto já comete um sério deslize, e como tipicamente um criança tão jovem faria, ele esconde a verdade dos pais evitando causar decepção aos mesmos. Em meio a isso tudo, talvez tenhamos sido apresentados à nova Lana Lang, no papel da vizinha Kathy, que presenciou o uso dos poderes por parte do garoto.


Peter J. Tomasi iniciou bem este arco, colocando claramente os desafios da nova família, e as preocupações do Superman com seu filho. Um dos melhores momentos foi o flagrante de Jonathan observando o encontro de seu pai com Batman e Mulher Maravilha, numa confirmação da aceitação desse novo Homem de Aço. O final nos deixa pistas de que a intenção do Superman não será proteger seu filho e mantê-lo longe de encrencas. Um novo Superboy está a caminho, com dna Kryptoniano e o treinamento será realizado em casa. Afinal em alguns meses teremos os Superfilhos em nova revista mensal.


A arte de Patrick Gleason e Mick Gray, com as cores de John Kalisz está excelente, com um sombreamento forte e uso generoso das cores, criando painéis bonitos e bem vivos. As expressões das crianças oferecem um contraste com os traços mais sóbrios dos adultos. Em alguns momentos os traços são mais exagerados dando um tom infantil aos personagens e em outros temos um tom mais sombrio, modificando de forma conveniente as percepções de cada momento, sem que com isso perca-se a uniformidade e equilíbrio. Esta série começou com bons desafios e promete trazer um tom mais familiar ao universo do Homem de Aço conforme promete a DC com seu “renascimento”. É diversão certa, recomendadíssima.

 

Capa variante por Kenneth Rocafort