por Lourinaldo Jr.

o texto a seguir contém alguns spoilers.

A nova Guerra Civil está em andamento nos Estados Unidos, a Marvel já lançou a terceira edição da saga, que prometia o Julgamento do século e a morte de um dos maiores heróis do universo. Vamos dar uma olhada rápida no que aconteceu até aqui, a série já lançou três adições, mais a edição zero.
O roteiro é de Brian Bendis, com arte de David Marquez e Justin Ponsor. Para quem ainda não sabe sobre do que trata esta nova Guerra Civil, Carol Danvers, a capitã Marvel e Tony Stark, o Homem de Ferro, estão discordando a respeito do direito de usar os poderes de um Inumano chamado Ulisses, capaz de prever eventos futuros, para prevenir a ação dos vilões. Sim,  o mesmo argumento de Minority Report, conto de Philip K. Dick, adaptada aos cinemas por Steven Spielberg.
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Primeiro há uma breve discussão entre os dois heróis, que não vai muito longe,  logo após eles descobrirem que uma grande invasão alienígena foi evitada, graças a um alerta da Medusa, líder dos inumanos, após uma das visões de Ulisses. A partir de então a Capitã Marvel deseja usar Ulisses para evitar novos ataques como este, e Tony Stark se opõe. Aqui Bendis perdeu a chance de desenvolver melhor as argumentações de ambos os lados deixando as reais motivações mais pra frente.
Ulisses prevê uma investida de Thanos em busca de um cubo cósmico que supostamente está na Terra, na batalha contra o Titã Louco , um Super Herói morre em combate, e outros ficam gravemente feridos, levando Tony Stark a questionar as decisões da Capitã Marvel com base nas visões do Inumano. O problema dessa parte do roteiro é que o desenvolvimento da história perde o foco na previsão dos eventos que podem ocorrer e no questionamento do uso dessas visões para se evitar o pior. Tudo fica muito pessoal para Tony Stark, e ele começa a agir de forma imatura.
Na edição 3 um importante herói do universo Marvel é morto, mais uma vez, para se evitar que suas ações, previstas por Ulisses se concretizem. Há a partir daqui um ponto de vista mais interessante, pois, agora as ações se precipitam, e tentando usar a argumentação de que algo realmente sério iria ocorrer, Carol Danvers tenta em tribunal, defender o autor do crime.
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O problema de Guerra Civil II é o uso de um argumento já conhecido na literatura de ficção científica e no cinema. Mesmo com leitores novos, que talvez não conheçam a obra original, ficou muito descarada a semelhança. Passadas as comparações, podemos esperar nas mãos de Bendis uma boa história? Acho que até agora ele entregou um roteiro medíocre que só sinaliza melhoras nas próximas edições, se ele resolver seguir o que foi posto no terceiro número. As duas primeiras mais a edição zero, apresentaram muito choro, caindo numa pieguice sem tamanho, e não conseguiram transmitir a emoção a que propunham. Com a morte ocorrida nesta terceira edição, o roteiro consegue inserir um pouco mais de indignação no leitor, não necessariamente pela pessoa que morre, mas sim pela forma como tudo ocorre. Evitar que um supervilão ataque Nova Iorque tem um significado diferente de eliminar um inocente que supostamente cometeria alguma catástrofe. O fim da edição 3 sugere que as causas das visões de Ulisses são uma grande surpresa. Seria uma boa reviravolta por exemplo, se fosse descoberto que na verdade o que ele vê não é o futuro e sim projeções criadas pela mente dele mesmo com outras justificativas. O roteiro de Guerra Civil II precisa de alguma sacudida e fugir mais do óbvio. Se o caminho for mais ousado poderemos ter mais uma boa minissérie, agora se a Marvel quiser realmente dividir os heróis e seguir a receita de dez anos atrás vai ficar difícil agradar.